Rio Madeira: a última fronteira!
Ele é chamado de Madeira apenas no território brasileiro

Mariane Veiga, por José Melo
Publicado em: 15/02/2025 às 08:36 | Atualizado em: 15/02/2025 às 08:36
O Madeira é um importante rio da Bacia Amazônica, que banha os estados do Amazonas e de Rondônia.
Possui quilômetros de extensão e é formado pelos rios Beni e Mamoré, na Bolívia, e pelo rio Madre de Diós, no Peru.
É chamado de Madeira apenas no território brasileiro.
Do rio Madeira, já foram extraídas algumas toneladas de ouro, mas, como o nosso país
não normatizou essa exploração, quase todo esse ouro foi retirado ilegalmente e contrabandeado.
Andei muito pelo Madeira, tanto na realização de projetos econômicos quanto no período em que ocupei cargos no estado.
O Madeira é lindo, caudaloso e possui um solo muito fértil. É o maior produtor de melancia de várzea do Amazonas.
Além disso, desempenha um papel fundamental na logística entre o Centro-Oeste e o Amazonas, pois, pelo Madeira, passam milhões de toneladas de soja produzidas na Chapada dos Parecis.
Comboios gigantescos transportam essa soja até o município de Itacoatiara, onde ela é processada, gerando subprodutos como óleo degomado e farelo de soja.
Além de ser uma via natural para o escoamento dessas riquezas, o rio Madeira também representa o limite da última fronteira agrícola brasileira.
A atividade agrícola no Brasil começou no Sul e Sudeste, avançou pelo Centro-Oeste e se expandiu até o oeste do Amazonas, onde encontrou, no caudaloso rio Madeira, uma barreira natural – o guardião da floresta.
O que nenhuma política pública, nem órgãos de segurança ou de proteção conseguiram, o Madeira fez: frear o avanço da fronteira agrícola e preservar um dos maiores patrimônios do Brasil – a floresta do estado do Amazonas e sua biodiversidade única.
Agora, é preciso que as autoridades do país estabeleçam políticas para a exploração racional dessas imensas riquezas.
O povo do Amazonas merece usufruir dessas oportunidades.
O mundo explora e se beneficia de suas riquezas naturais; nós também temos esse direito.
Acorda, Brasil!
Manaus, 13 de fevereiro de 2025.
O autor é ex-governador do estado do Amazonas.
Foto: reprodução