Narcotráfico alimenta crimes ambientais e conflitos agrários na Amazônia
A ativista Nathalia Oliveira criticou política de guerra às drogas

Ednilson Maciel
Publicado em: 27/02/2025 às 16:39 | Atualizado em: 27/02/2025 às 16:39
O tráfico de drogas é um vetor central de corrupção, violência armada, degradação ambiental e violações de direitos humanos, na Amazônia. É o que afirma Nathalia Oliveira, integrante da Plataforma Brasileira de Política de Drogas
Ela falou no painel “O Combate ao Racismo e ao Encarceramento em Massa”, durante o evento “A Política Nacional sobre Drogas: Um Novo Paradigma”, realizado pelo Brasil 247, TV 247 e Consultor Jurídico, com apoio do grupo Prerrogativas, em Brasília (DF).
Segundo o Brasil247, ela mencionou a ligação entre questões como tráfico de drogas e a degradação ambiental na Amazônia.
“O complexo cenário da cadeia produtiva de drogas na América Latina se modificou profundamente desde a interpelação. O tráfico está entrelaçado com outros crimes ambientais, como garimpo ilegal, grilagem e extração de madeira em terras indígenas, causando danos também socioambientais graves”,
afirmou.
Além disso, Oliveira criticou a autorização do “garimpo em terras indígenas e descriminalização da maconha, à medida que eles têm se retroalimentado”.
Ela mencionou que os lucros do tráfico retroalimentam crimes fundiários e estruturas clandestinas, “inviabilizando a governança territorial e o desenvolvimento de bioeconomias sustentáveis”.
“O narcodesmatamento reiveste os ganhos do tráfico na aquisição de terras, desmatando a aquisição de terras, desmatando a criação de pastagens e infraestrutura ilegal”, detalhou.
Ao mesmo tempo, ativista reforçou sua crítica à política de guerra às drogas, que, “além de não resolver o problema, intensificou a violência e o racismo estrutural, afetando principalmente a população negra”.
“A política de drogas militarizada, focada na proibição e no encarceramento, não resolveu o problema, mas na verdade levou facções a buscar novas rotas, aumentando a violência em vários estados. A opção da guerra às drogas de uma polícia militarizada é uma opção política de um Estado racista, que age sob orientação. Não podemos isentar essa responsabilidade de comando e escolha política do Estado brasileiro”, afirmou.
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Foto: Ricardo Stuckert/PR